Tá bem interessante minha situação agora. Escrevendo o post desta semana do blog, de dentro do avião a 10 mil metros de altura (do lado de fora ia ficar muito frio), sentado na janela (devidamente fechada, lembrem que eu não fico muito confortável nas alturas) e indo pra Aspen, um lugar que eu já quero conhecer há muito tempo. A previsão do tempo lá chega a menos 16 graus, o que me deixa bem feliz, e a perspectiva de cair toneladas de neve me coloca em transe divino. Tenho total consciência de minhas limitações nesse esporte (snowboard). Dei muitas cotoveladas, bundadas, joelhadas e cabeçadas no chão pra poder hoje ficar em pé pelo menos na bendita pranchinha. E o que vale mesmo é a diversão. Gostaria apenas de ter descoberto antes.

A primeira vez que eu cheguei perto de neve já nem considero mais. Foi no aeroporto de Madri. Havia geado durante a noite e tinha acúmulo de gelo em algumas plantas. Com bastante boa vontade eu enchia uma mão. Pronto, "vi neve". Uns dois anos depois me encantei de verdade. Acompanhava meu primeiro grupo pra Bariloche, temporada de inverno. Não me importo muito com frio. Em algumas noites dormi com a janela aberta porque achei que o aquecimento central do hotel estava quebrado e eu suava! Tirei kilômetros de fotos. E fiz minhas primeiras aulas de snowboard. Sempre fica aquela dúvida se escolhia o esqui, mas me pareceu mais complicado dominar duas pranchinhas ao invés de uma. LEDO engano.
No terceiro dia, jurando que era o Bob Burnquist da neve, me joguei nas pistas pretas. Na classificação, são as piores. Vou enfatizar que não foi coragem, era burrice pura na verdade. Perdi o controle da prancha e brequei numa árvore. A toda velocidade. Com um só braço. Depois daquele dia tenho dúvidas se meus ossos são de adamantium.

Cidades como Bariloche, que têm as óbvias opções de esportes de neve, têm várias outras atividades. Shoppings pra fazer compras, passeios a montanhas e lagos maravilhosos, culinária excelente e barata (comi o melhor cordeiro da minha vida!) e, descontadas as bobagens de rixas futebolisticas, o povo argentino nos recebe muito bem. Tá certo que hoje nós gastamos bastante, estamos numa excelente situação econômico-financeira, mas em minha humilde e otimista opinião, sempre trouxe boas lembranças de lá.
MAS, como nunca pode deixar de ser, tem pessoas que não se deixam embriagar pelo espírito nevado da cidade. Encontro o marido na parte mais alta da montanha, olhando pro nada, esperando:
Eu: e aí fera, vai descer ou tá curtindo a vista. (chamar alguém de "fera" requer muito gingado)
Marido: To esperando a anta da minha mulher descer na frente. Ela só atrasa. Nem sei porque eu falei pra ela vir nesta viagem.
Um tempo depois, na cafeteria no final da pista, na mesa ao meu lado está o marido, a esposa (coitada) e uma amiga dela:
Marido: Pô "esposa", perdemos um tempaço nessa sua descida, que saco meu! Pra que você veio?
Amiga da Esposa: Ah fulano, larga de ser chato! Tenha um pouco mais de paciência com ela.
Esposa: ... (sem falar nada, só fazendo muxoxo)
Marido: Não sou pai dela pra ter paciência! Tá louco, amanhã vocês vão fazer compras e me deixam aqui na paz.
Trata a mulher desse jeito, toma um pé na bunda depois e diz que não tem sorte na vida.

Toda regra tem exceção (clichê monstro) e o melhor exemplo disso é o gerente de um restaurante que nós tentamos ir. Estava um frio de trincar os supercilios, vimos a porta aberta, éramos em nove e entramos pra ver se tinha lugar. Estava lotado de fato, mas o gerente veio que nem um foguete com as mãos já apontando em direção ao OLHO da rua:
Gerente: Que estão fazendo aqui? (pergunta cretina)
Nós: Ué, isso não é um restaurante? A gente veio comer!
Gerente: e não estão vendo que tá lotado?
Nós: nossa visão de raio-x não funcionou pra enxergar sem entrar...
Gerente: agora que já viram, podem sair. Vamos, rápido, FORA! (me senti o marido do caso acima, quando a mulher se der conta de como ele é chato)
Nós: mas não podemos esperar...
Gerente: Já disse, RUA!
Saímos e ele passou a chave na porta, como se fôssemos uma praga, bandidos, brasileiros, sei lá. Maltratados, famintos, humilhados e sem dignidade, sugeri um lugar que tinha uma fama muito boa, de comida e atendimento. O restaurante se chama "Boliche do Alberto". Nome engraçado, carne macia de cortar com a colher, e atendimento de pai pra filho. Bariloche nunca me decepciona :-)


Quem sai aos seus nao degenera...
Poxa Ale, parece q estou mesmo a ouvir vc falar... Agora q vc ja eh craque nos esportes da neve, conte tudinho sobre a semana em Aspen! Imagino q agora vc ja enfrente as "negras" com galhardia! Aguardamos a continuacao na proxima semana!
Wikipédia
Sem "rasgação de seda" mas os seus posts são ótimos! Você escreve falando, dá pra ver a sua cara contando a história.
Aproveito também pra agradecer a você e a Wikipédia (Enquanto ela ainda pode ser usada). Você por ter usado uma palavra absurdamente estranha (Definitivamente não do meu tempo) e a Wikipédia por me esclarecer a dúvida.
Caso mais alguém precise (E tenha vergonha de assumir) aí vai:
Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade. (Plural: muxoxos)
Um beijo ;D
Muito bem, seu dever de casa
Muito bem, seu dever de casa está completo. Gosto quando as pessoas interagem e não me deixam num solilóquio digital!
Bjao!!
Olha, você tá me dando
Olha, você tá me dando trabalho com essas palavras que eu tenho certeza que você fica procurando no dicionário só pra dificultar a vida das pessoas!
Mas ok, mais uma vez, vamos lá:
Solilóquio:
1.Fala de alguém consigo mesmo; monólogo.
2.Forma dramática ou literária do discurso em que a personagem extravasa de maneira ordenada e lógica os seus pensamentos e emoções em monólogos, sem dirigir-se especificamente a qualquer ouvinte. [Cf. soliloquio, do v. soliloquiar.]
Dicionário Aurélio
Hahaha, pior que não procuro
Hahaha, pior que não procuro não. Veja pelo lado bom, você tem duas novas palavras no seu já vasto conhecimento. Pode bater palmas pra mim! :-)
bariloche
bariloche ainda faz parte dos lugares q quero conhecer...óbvio q por influência sua, pq o frio nao é uma das coisas q eu mais admire! aliás, EU ODEIO! hahaha
otimo post...bjo
Ah, brigado pelo elogio do
Ah, brigado pelo elogio do post, mas posso apostar que a viagem pra Bariloche vai ser uma das melhores da sua vida!
BJO!
uia!
Cê jura que escorraçaram vocês do restaurante daquele jeito, como se fossem brasileiros? Olha, eu trataria aquele gerente do jeito que se trata argentino! Na pohádan!
Sério, o fato aconteceu!!! Eu
Sério, o fato aconteceu!!! Eu nunca tinha visto nada parecido com isso... Agora temos o tapete vermelho estendido pra gente. Se eu mandasse porrada nele ia ser aplaudido, não queria rebuliço na hora :-)
Ahhhh a neve
Poxa, neve é demais. Por mais que meu trabalho me leve a lugares incriveis a neve é sempre o mais esperado.. A primeira vez que vi, me lembro como se fosse hoje, os flowuinhos caiam na minha luva preta e aqlo tudo era tão emocionante, que lagrimas escorriam pelas minhas bochechas, como uma criança maravilhada. Mas eu ja tinha mais de 25 anos. Eu estava em um barco a caminho da antartida e o capitao do navio, que rra europeu, me olhava e ria. Devia estar pensando.... Brasileira bobinha, nunca viu neve. Algo p ele super normal. Virei motivo de piada no navio o tempo todo, mas nem isso estragou a beleza da neve, dos anjos de neve, das guerras de neve, dos bonecos de neve.... E dos icebergs.... É demais.
Adorei o post jujuuuuu
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